Theatro São Pedro

Fachada do TSP 400px larguraCaros amigos e amigas,

É com muita satisfação que anunciamos a Temporada 2013 do Theatro São Pedro! A programação aqui presente, com quatro montagens de ópera, uma sólida série de concertos e uma série de música de câmara, procura fazer jus ao enorme potencial deste espaço tão especial, quando se completam 15 anos de sua reinauguração.

Inaugurado em 1917, o Theatro São Pedro é um dos poucos remanescentes ativos de uma geração de casas de espetáculo que floresceram entre o final do século XIX e o início do século XX, tanto em nossa cidade quanto em outros centros urbanos do Brasil e da América Latina, como o Teatro Amazonas de Manaus, o Theatro da Paz de Belém, o Colón de Buenos Aires e o Teatro Solis de Montevidéu. Aqui em São Paulo, espalhados por diversos locais de nossa cidade, palcos como o do Teatro Minerva, no bairro de Santana, do Teatro Provisório Paulistano, na Rua Boa Vista, do Theatro Politheama, na Avenida São João, ou do Colombo, no Brás, apresentavam uma programação intensa de teatro, cinema e música.

Desde o início, o público frequentador do São Pedro foi diversificado, incluindo representantes da alta sociedade em apresentações de gala e os jovens do bairro, que vinham atrás dos ingressos promocionais e das sessões de cinema, mesmo que fosse necessário assistir de pé às apresentações. Infelizmente os espaços semelhantes a este não resistiram às transformações pelas quais passou nossa cidade, restando apenas o Theatro Municipal, na Praça Ramos.

A história do São Pedro, de lá para cá, foi marcada por dois traços: por um lado, uma longa série de fechamentos e reinaugurações, cada uma delas fazendo com que o local se reinventasse em um novo formato, amoldando-se às transformações da capital. Por outro, uma presença sempre intensa e marcante na história cultural da cidade: foi aqui que, nas décadas de 1960 e 1970, se abrigaram grupos teatrais como o Papyrus, foco de resistência à ditadura militar e de intensa pesquisa artística. No palco do São Pedro foram apresentadas nesse período peças paradigmáticas como Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto e música de Chico Buarque; Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, com Fernanda Montenegro e Beatriz Segall; e durante a encenação de Queda da Bastilha os atores Celso Frateschi e Denise Del Vecchio chegaram a ser presos em cena.

E foi aqui no São Pedro que, há 15 anos, se alojou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo durante sua reestruturação, quando a casa foi definitivamente restaurada e posta em funcionamento contínuo. Com esta última restauração, o São Pedro encontrou, afinal, sua grande vocação: a ópera. Sem deixar de ser aconchegante e íntimo, este é um teatro cujas dimensões proporcionam uma acústica privilegiada, com fosso corretamente estruturado, que acomoda bastante bem uma orquestra, e que floresce em todo o seu potencial quando aqui é encenada uma montagem lírica. E é em função disso que o alicerce central da programação delineada nesta Temporada é operístico.

Abriremos o ano com La Cenerentola de Rossini, a mesma obra que marcou a reinauguração da casa há 15 anos, e que não voltava a ser apresentada em nossa cidade desde então. Em seguida, homenageando o compositor inglês Benjamin Britten, que em 2013 completaria 100 anos, traremos pela primeira vez ao país uma montagem de A Volta do Parafuso, uma de suas obras primas. Com muito orgulho apresentaremos, em novembro, uma obra inédita, composta especialmente para esta ocasião. Trata-se de O Menino e a Liberdade, de Ronaldo Miranda com libreto de Jorge Coli sobre texto de Paulo Bonfim, nossa pequena contribuição para o esforço de afastar de vez a ideia de que ópera é uma linguagem que parou no tempo, não tendo espaço na vida cultural de hoje em dia. Em dezembro, outra homenagem: este ano é o bicentenário de Giuseppe Verdi, o grande mestre italiano, e escolhemos seu Falstaff para fechar nossa Temporada. Esta é sua única obra cômica, e achamos que ela se encaixa com precisão nas proporções desta casa.

Entremeando tudo isto, uma série de concertos que tem expoentes da música lírica internacional como Annick Massis, José Bros e a nossa Eliane Coelho, mestres do piano como Sonia Rubinsky e Eduardo Monteiro, o grande violonista Fábio Zanon fazendo a estreia nacional do Concerto nº 2 para Violão e Orquestra de Leo Brouwer e um espetáculo dedicado à criação musical de Kurt Weill e Bertolt Brecht na voz de Cida Moreira, permitindo a quem frequenta assiduamente esta casa desfrutar, esperamos, de muitos momentos de boa música, seja de que estilo for.

Para este ano inovamos também ao criar a Academia de Ópera do Theatro São Pedro, uma instituição de aperfeiçoamento para jovens cantores líricos, e ao lançar as séries de assinatura, com descontos em relação aos bilhetes avulsos, prioridade na escolha dos lugares e entrega antecipada dos ingressos para as óperas e concertos da Temporada 2013.

Esperamos vê-los durante todo o ano neste que é um dos espaços mais belos e significativos da nossa cidade.

Bons espetáculos!

Emiliano Patarra

Diretor artístico e regente titular